Mercado de trabalho avança, mas precarização ainda freia melhora das condições de emprego, mostra Dieese (San Salvador de Jujuy)

Mercado de trabalho avança, mas precarização ainda freia melhora das condições de emprego, mostra Dieese (San Salvador de Jujuy)

05 ago
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SEAAC CAMPINAS E REGIÃO
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San Salvador de Jujuy

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San Salvador de Jujuy

ICT-Dieese (Índice da Condição do Trabalho) sobe para 0,75 no primeiro trimestre de 2026, maior patamar da série recente, impulsionado pela expansão do emprego formal e da renda. Entidade alerta, porém, que o crescimento das ocupações precárias e a concentração dos rendimentos continuam limitando a qualidade do mercado de trabalho

O mercado de trabalho brasileiro iniciou 2026 em trajetória de fortalecimento. É o que revela o ICT-Dieese (Índice da Condição do Trabalho), de junho, elaborado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) com base nos dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE.

No primeiro trimestre de 2026, o indicador alcançou 0,75, resultado 0,05 ponto superior ao registrado no último trimestre de 2025 e 0,07 ponto acima do observado no mesmo período do ano anterior. Como o índice varia entre 0 e 1, quanto mais próximo de 1, melhores são as condições gerais do mercado de trabalho.

O avanço reforça a continuidade da recuperação observada desde o pós-pandemia, sustentada pela expansão do emprego formal, pelo crescimento da renda e pela redução estrutural do desemprego.

Entretanto, o próprio Dieese ressalta que a melhora ainda convive com obstáculos importantes, sobretudo o aumento das formas precárias de ocupação e a persistente concentração da renda do trabalho.

O que mede o ICT-Dieese

Criado Para Oferecer Visão Mais Abrangente Da Qualidade Do Mercado De Trabalho, o ICT-Dieese Vai Além Da Tradicional Taxa De Desemprego. O Indicador Reúne 3 Dimensões Consideradas Fundamentais

- Inserção Ocupacional, que avalia formalização do vínculo empregatício, contribuição previdenciária e estabilidade no emprego;
- Desocupação, que considera desemprego, desalento, tempo prolongado de procura por trabalho e situação dos responsáveis pelos domicílios; e
- Rendimento, que mede o rendimento real por hora trabalhada e o grau de concentração da renda.

A combinação dessas 3 dimensões permite avaliar não apenas se há mais pessoas ocupadas, mas também a qualidade dessas ocupações e a distribuição dos ganhos obtidos pelos trabalhadores.

Emprego formal impulsiona indicador

O principal avanço do trimestre ocorreu na dimensão Inserção Ocupacional, cujo índice passou de 0,54 para 0,62.

Segundo o Dieese, esse desempenho reflete a continuidade da expansão do emprego com carteira assinada, um dos fatores mais importantes para elevar a qualidade do mercado de trabalho, já que empregos formais costumam oferecer maior proteção social,



acesso à Previdência e maior estabilidade.

Apesar disso, a entidade destaca que a melhora poderia ser ainda mais intensa. Isso porque, paralelamente ao crescimento dos vínculos formais, continuam aumentando formas mais precárias de ocupação, como relações de trabalho com menor proteção trabalhista e previdenciária.

Na avaliação da entidade, esse movimento impede que o indicador de inserção ocupacional avance em ritmo mais acelerado.

Renda cresce e distribuição melhora discretamente

Outro Fator Decisivo Para o Resultado Positivo Foi a Evolução Da Dimensão Rendimento, Que Saltou De 0,68 Para 0,75. O Desempenho Decorreu Principalmente De 2 Fatores

- aumento do rendimento real por hora trabalhada; e
- pequena redução da concentração dos rendimentos.

A recuperação do poder de compra dos salários vem sendo favorecida pela desaceleração da inflação, pelos reajustes salariais negociados acima da inflação em diversos setores e pelo fortalecimento do mercado de trabalho, fatores que ampliam o poder de negociação dos trabalhadores.

Embora a melhora distributiva ainda seja modesta, essa representa sinal significativo de que os ganhos de renda começam a alcançar parcelas mais amplas da população ocupada.

Desemprego continua baixo, mas indicador recua ligeiramente

A dimensão Desocupação apresentou pequena redução, passando de 0,88 para 0,87.

À primeira vista, o resultado pode parecer contraditório, mas decorre da metodologia do índice: como valores mais altos representam melhores condições de trabalho, a leve queda indica pequena deterioração nesse componente específico.

Segundo o Dieese, o movimento foi provocado pela elevação da taxa de desemprego e do desalento — inclusive entre os responsáveis pelos domicílios — parcialmente compensada pela diminuição da proporção de trabalhadores em situação de desemprego de longa duração.

Ou seja, embora mais pessoas tenham voltado a procurar emprego, aquelas que permanecem desempregadas há muito tempo diminuíram proporcionalmente.

Tendência continua positiva

Na média móvel dos 4 últimos trimestres, o ICT-Dieese mantém trajetória consistente de crescimento.

As 3 dimensões apresentam evolução favorável,



indicando que a melhora observada não decorre de fatores conjunturais isolados, mas de processo gradual de fortalecimento do mercado de trabalho.

Para o Dieese, os principais vetores positivos permanecem os mesmos dos últimos anos:

- redução interanual das taxas de desemprego e desalento;
- crescimento do emprego com carteira assinada; e
- aumento do rendimento real do trabalho.

Esses fatores sustentam a elevação contínua do indicador e reforçam o ambiente de recuperação do mercado laboral brasileiro.

Precarização ainda limita qualidade do trabalho

Apesar da evolução positiva, o estudo alerta que o mercado de trabalho brasileiro continua marcado por importantes desequilíbrios estruturais.

O crescimento de formas precárias de inserção ocupacional — como vínculos de menor proteção social, elevada rotatividade e informalidade parcial — reduz o ritmo de melhora da qualidade do emprego. Ao mesmo tempo, a concentração dos rendimentos ainda permanece elevada, restringindo os efeitos distributivos do crescimento econômico.

Na prática, isso significa que o País gera mais empregos e melhora a renda média dos trabalhadores, mas ainda enfrenta dificuldades para converter essa expansão em ocupações de maior qualidade e em distribuição mais equilibrada dos ganhos do trabalho.

Principais números do ICT-Dieese

- ICT-Dieese: 0,75 no primeiro trimestre de 2026;
- Alta de 0,05 ponto em relação ao quarto trimestre de 2025;
- Alta de 0,07 ponto na comparação com o primeiro trimestre de 2025;
- Inserção Ocupacional: de 0,54 para 0,62;
- Rendimento: de 0,68 para 0,75; e
- Desocupação: de 0,88 para 0,87.

Leitura dos resultados

Os dados do ICT-Dieese indicam que o mercado de trabalho brasileiro segue em processo de fortalecimento, com avanços consistentes na formalização do emprego e na recuperação da renda.

O índice de 0,75 representa um dos melhores resultados recentes e confirma que a economia continua absorvendo trabalhadores em ritmo favorável.

Ao mesmo tempo, o levantamento evidencia que o desafio deixou de ser apenas gerar postos de trabalho. A agenda passa a envolver a elevação da qualidade dessas ocupações, a redução da precarização e a diminuição das desigualdades salariais.

Em outras palavras, o País avança na quantidade de empregos, mas ainda precisa transformar esse crescimento em trabalho mais protegido, estável e mais bem remunerado para consolidar mercado laboral verdadeiramente inclusivo e sustentável.

Acesse a íntegra do ICT-Dieese

Fonte: DIAP

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